20 de nov. de 2012

Sala da Poetisa...

Opostos
(Adryelle Tarachucky)

Não há nada de mais, só um olhar para lados opostos,
Quando na verdade, deveria ser um olhar para o mesmo lado...
O estranho não é sentir que estamos longe, é saber que estamos perto
No entanto... nada é igual a isso, nada, simples.
Você com seu eu, e sem mim... e não é vice-versa nessa conversa, é oposto...
Você olhando sempre o oposto dos meus olhos, falando o oposto do meu sentimento...
Escrevendo sua história, o oposto do que eu faço....
Escrevo nossa história, e me esquece que no oposto de sua vida
Tem a minha...
Saudade de quando o mundo era oposto a nós, e não você a mim.









"...Quando olhávamos juntos, na mesma direção, aonde está você agora, além de aqui, dentro de mim..."
(Renato Russo)

11 de nov. de 2012

Sala da poetisa...





Sentimento meu

(Adryelle Taracucky)


É como se amarras me segurassem



E mordaças me calassem.



E de tanto sentir dor meu corpo parecia não existir,



Meus olhos já possuíam um tom avermelhado...



E pessoas riam enquanto eu chorava,



Eu um choro que ninguém percebia
(pois não viam minha alma)




Eu derramava naquele momento as mais dolorosas e verdadeiras lágrimas,



As que escorrem da alma, e como a ação de um ácido letal corroem o coração.



Coração que bate descompassado
(e somente por bater)




Pois a alma que o envolve já não mais existe,



E sim vegeta em meio a dor,



E faz que ri frente ao sofrimento.



Essa alma parece alegre,



Todos a vêem assim...



E somente o corpo que a prende sente sua infelicidade.



E ao final já não se sabe,



Se é desespero, ilusão ou necessidade,



Mas ela acredita que as amarras e mordaças,



São flores que a decoram
(aos olhos dos outros)




E ao seu ver,



Tudo é escuro e petrificado pelo sofrimento.



Assim implora para logo ser coberta pelo manto negro da morte,



Pois julga que esse é o fim do sofrimento e da dor


E o inicio da Paz...




Gélidos Beijos Mortais

5 de nov. de 2012

Homenagem...

Versos Íntimos (Augusto dos Anjos)

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!